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O que esperar do mercado imobiliário nos últimos quatro meses de 2012

01/10/2012 - O que esperar do mercado imobiliário nos últimos quatro meses de 2012

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O mercado imobiliário brasileiro vem passando por um crescimento acentuado nos últimos anos. Afinal, a casa própria ainda está entre os maiores desejos de consumo da população, e não é à toa que este sonho provoca tanto o imaginário das pessoas.

Em função desta expansão, o segmento tem se configurado como um dos mais promissores da economia nacional e isso faz emergir diversos tipos de questionamentos quanto ao futuro do setor. Estamos caminhando para o final de 2012 e é comum surgirem dúvidas em relação ao que esperar do mercado nestes últimos quatro meses que restam para fechar o ano.

Contudo, antes de compartilhar com você quais são as perspectivas que acredito que conduzirão o comportamento do segmento neste quadrimestre, vale a pena darmos uma revisada no nosso passado para nos direcionarmos a uma percepção mais assertiva do nosso futuro.

Lembro-me da época em que crédito imobiliário era escasso em nosso país, e isso acarretava várias previsões de que o mercado iria estagnar. Ao passar pela crise imobiliária dos Estados Unidos em 2008, vivíamos sobre a frequente pressão de estourarmos também uma bolha imobiliária por aqui e até hoje este é um posicionamento que gera controvérsias entre os especialistas e estudiosos do mercado.

Mas o fato é que presenciamos uma realidade oposta ao que se esperava: as linhas de crédito se expandiram, a economia vem se estabilizando, a renda da população tem melhorado, o número de lançamentos aumentou e o mercado segue aquecido.

Alia-se ainda a este cenário a contribuição inegável dos programas do Governo como o “Minha Casa Minha Vida” que revolucionaram o acesso à moradia no Brasil. Sempre fomos um país de grandes desigualdades sociais, mas na última década temos vivenciado consideráveis mudanças.

Não tenho a pretensão de, neste artigo, sentenciar de maneira irrevogável o futuro que nos aguarda, mas baseado nas análises do cenário econômico brasileiro que faço, frequentemente, nas minhas vivências e no relacionamento que construí com os mais diversos setores que abarcam o mercado imobiliário, avalio este final de ano como um momento positivo para o setor de imóveis.

Viemos de um primeiro semestre onde as empresas se engajaram para baixar os estoques: promoções foram feitas, vários brindes e descontos foram dados e os maiores beneficiados deste processo, certamente, foram os clientes.

Para esta segunda etapa do ano, a expectativa é de que as construtoras e incorporadoras voltem a lançar novos empreendimentos que tendem a estar cada vez mais personalizados de acordo com o perfil do futuro comprador e da região onde ele será erguido.

Outro fator que ficará ainda mais evidente, não só neste final de ano, mas que será uma tendência para o mercado nos próximos anos é que estamos caminhando para um equilíbrio e um crescimento cada vez mais sustentado do setor.

Não será difícil perceber uma estabilização dos preços dos imóveis. Em um cenário dinâmico como o nosso, nenhum preço se mantém alto demais ou baixo ao extremo durante um longo período, pois o próprio comportamento do mercado trata de harmonizar estas variações.

Nesse sentido, é fundamental entender que houve uma desaceleração necessária do segmento de imóveis. Continuamos com um aquecimento nas vendas, mas em um ritmo diferente do que há seis anos, quando o que se lançava era vendido em um prazo muito curto. No entanto, o planejamento das ações nesta época era quase inexistente.

Hoje, vivemos um mercado mais maduro e consciente e por isso, o planejamento e a execução do mesmo ganham cada vez mais relevância.

Integra-se ainda a esse caminho de equilíbrio uma gestão imobiliária mais criteriosa. A política de crédito no Brasil é mais rigorosa se comparada a outros países. A crise gerada pela “bolha imobiliária” nos Estados Unidos ligou o botão de alerta no mundo todo e o Brasil, que já praticava uma política diferente da dos americanos, ficou ainda mais atento a esta ameaça.

Por aqui não se empresta sem antes avaliar, cuidadosamente, a capacidade do tomador do crédito de quitar a sua dívida.

Diante desse cenário, vale destacar ainda a transformação também no perfil do comprador. Atualmente, as pessoas estão em busca do imóvel para usufruir prioritariamente como moradia, o que faz surgir um cliente mais crítico e exigente, que sabe exatamente o quer e por isso demanda profissionais cada vez mais qualificados.

Tal realidade nos coloca diante dos maiores desafios do segmento imobiliário: a profissionalização do setor que engloba desde a construção civil até o atendimento ao cliente com o corretor de imóveis. No entanto, esta não será uma demanda que será resolvida em curto prazo.

No segmento imobiliário, como em outros setores da nossa economia, temos uma carência de preparação preventiva, ou seja, aquela na qual eu me preparo para crescer. O que temos visto no Brasil é que os diversos segmentos têm se desenvolvido, mas a qualificação profissional não acompanha o mesmo ritmo.

Por isso, não raramente, vemos o crescimento das demandas e a busca desenfreada por profissionais qualificados que possam desempenhá-las. Sendo assim, a procura por trabalhadores diferenciados é uma realidade que nos espera não só para este final de 2012, mas ainda por um longo período, uma vez que nosso déficit habitacional conta com elevados índices.

Nosso país já passa e deverá continuar a passar nos próximos anos por um grande processo de reestruturação de sua infraestrutura. Construção de novas rodovias, portos, ferrovias, novas alternativas para a mobilidade: esse é um país em crescimento e que demandará mão de obra qualificada, sobretudo, da área da construção civil, elementos esses que certamente impactarão também no mercado de imóveis.

Quem souber interpretar este cenário com suas várias facetas, verá um Brasil forte, aberto a diversas oportunidades de novos negócios, de crescimento profissional e de consolidação do setor.

Estamos diante de um mercado altamente promissor, que cada vez mais dá sinais de sua força e revela seus importantes avanços. Temos que direcionar a nossa percepção para potencializarmos este momento favorável de forma planejada e estratégica.




Fonte: http://www.guilhermemachado.com

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